Estudo aponta risco de desmatamento bilionário na Amazônia com possível fim da Moratória da Soja Estudo aponta risco de desmatamento bilionário na Amazônia com possível fim da Moratória da Soja

Estudo aponta risco de desmatamento bilionário na Amazônia com possível fim da Moratória da Soja

Estudo alerta que o fim da Moratória da Soja pode destruir 1,4 milhão de hectares na Amazônia. STF julgará o futuro do pacto em agosto de 2026.

O agronegócio brasileiro atravessa um período de incerteza que coloca em risco a preservação da floresta amazônica. Um estudo publicado na revista Science alerta que o fim da Moratória da Soja pode resultar na destruição de 1,4 milhão de hectares de vegetação nativa na próxima década, um avanço de 14% em relação aos índices históricos de desmatamento na região.

A pesquisa estima que a perda dessa cobertura vegetal liberaria 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume comparável às emissões anuais do Canadá. O pacto, um compromisso voluntário entre empresas e sociedade civil, impede a compra de soja cultivada em áreas desmatadas no bioma após 2008.

Eficácia do pacto contra o desmatamento na Amazônia

O levantamento, que reuniu especialistas do WWF-Brasil, Greenpeace Brasil e universidades norte-americanas, comprova a eficiência do mecanismo. Nos primeiros dez anos de vigência, a Moratória evitou o desmatamento de 1,8 milhão de hectares, reduzindo em 35% a supressão florestal em áreas vulneráveis à expansão agrícola.

Os cientistas refutam a tese de que o monitoramento prejudica a economia dos produtores. Dados indicam que a Amazônia possui 1,7 milhão de hectares de terras já abertas e aptas para o cultivo, permitindo a expansão da safra sem a necessidade de novos desmatamentos. Além disso, as cotações pagas aos produtores dentro do acordo equivalem às praticadas em regiões não monitoradas.

Riscos à biodiversidade e pressões sobre terras públicas

O encerramento do pacto pode estimular a especulação fundiária, ameaçando 28,7 milhões de hectares de florestas públicas. O setor produtivo enfrenta a pressão de mercados internacionais cada vez mais rigorosos, que exigem rastreabilidade e critérios ambientais sólidos para a compra de commodities brasileiras.

A manutenção de políticas de controle é vista por especialistas como uma blindagem para os serviços ecossistêmicos. A preservação é considerada um requisito essencial para a competitividade do agronegócio, funcionando como um passaporte para atender às demandas globais por produtos sustentáveis.

Impasse jurídico e julgamento definitivo no STF

O cenário corporativo sofreu uma ruptura em 5 de janeiro de 2026, quando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) oficializou a desfiliação de suas associadas da Moratória. A decisão intensificou a disputa jurídica que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Após o fracasso das mesas de conciliação encerradas em junho de 2026, o plenário do STF agendou para 12 de agosto o julgamento de ações decisivas. Os magistrados analisarão a constitucionalidade de leis estaduais que penalizam empresas signatárias do acordo e a validade de uma liminar do ministro Flávio Dino que suspendeu contestações contra a Moratória.