A Polícia Civil de Minas Gerais conduz uma investigação rigorosa sobre a morte da capitã Michele Leão Azevedo, ocorrida em Belo Horizonte. O principal suspeito do crime é o sargento da Polícia Militar, identificado como Eduardo, que levou a vítima já sem vida ao Hospital Odilon Behrens. O caso ganha contornos complexos devido ao histórico de violência doméstica atribuído ao militar.
Antecedentes de violência e descumprimento judicial
Registros policiais revelam que Eduardo possui um histórico de comportamento violento contra mulheres. Em março de 2016, uma ex-companheira denunciou ter sido agredida fisicamente pelo sargento após um conflito doméstico. Na ocasião, a vítima sofreu lesões no rosto, costas e joelhos, necessitando de atendimento no Hospital João XXIII.
Meses depois, em setembro de 2016, o militar voltou a ser alvo de denúncias por descumprir uma medida protetiva concedida pela Justiça. Conforme os relatos, ele utilizou o aplicativo WhatsApp para enviar ameaças diretas à ex-companheira e seus familiares, chegando a intimidar o irmão da mulher com mensagens de teor agressivo.
Dinâmica do óbito e alegações do suspeito
Ao chegar ao Hospital Odilon Behrens com a capitã Michele Leão Azevedo, o sargento alegou que a morte teria sido decorrente de uma queda acidental de uma escada. Segundo a versão apresentada por ele, o casal teria consumido bebidas alcoólicas e ecstasy antes de práticas sexuais que, conforme sua justificativa, incluíam agressões consensuais.
Entretanto, a avaliação médica inicial contradiz a narrativa de acidente doméstico. O boletim de ocorrência aponta que a vítima apresentava múltiplas lesões traumáticas, incluindo traumatismo craniano, e que o óbito teria ocorrido várias horas antes da chegada à unidade hospitalar. A Polícia Civil trabalha para confrontar as declarações do suspeito com os laudos periciais.
Andamento das investigações e defesa
As autoridades buscam esclarecer se as lesões encontradas no corpo da capitã são compatíveis com a versão de queda ou se indicam um crime de feminicídio. O sargento permanece sob investigação enquanto os peritos analisam as evidências coletadas na residência e no hospital.
O advogado de defesa, Gustavo Nepomuceno, informou que está acompanhando o caso, mas optou por não se manifestar detalhadamente até que tenha acesso integral aos autos do processo. O inquérito policial segue em sigilo para garantir a integridade das diligências em curso.