Setor terciário pressiona contra votação da PEC da escala 6x1 antes das eleições Setor terciário pressiona contra votação da PEC da escala 6x1 antes das eleições

Setor terciário pressiona contra votação da PEC da escala 6×1 antes das eleições

CNC lança campanha contra votação da PEC da escala 6×1 antes das eleições, alertando para riscos econômicos e defendendo a negociação coletiva.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) iniciou uma mobilização nacional para impedir que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 seja votada pelo Senado Federal antes do pleito eleitoral. A campanha, lançada nos dias 29 e 30 de agosto, conta com o apoio de 34 federações e sindicatos, sob o lema de que o cenário econômico atual não comporta alterações estruturais abruptas nas relações trabalhistas.

O movimento ganha força em um momento de tensão política, com o setor produtivo alertando para os riscos de uma tramitação acelerada. A entidade argumenta que a mudança constitucional, se aprovada sem o devido debate técnico, pode comprometer a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e colocar em risco a manutenção de postos de trabalho formais em todo o território nacional.

Impactos econômicos e riscos ao setor produtivo

O setor terciário aponta que a economia brasileira atravessa um período de fragilidade caracterizado por juros elevados e acesso restrito ao crédito. Segundo a CNC, o endividamento das famílias e a inadimplência sem precedentes entre as empresas criam um ambiente de desinvestimento, agravado pela saída de capitais estrangeiros do país.

A preocupação se estende à concorrência desleal, citando o fim da isenção de impostos sobre importações, conhecida como “Taxa das Blusinhas”. Para os empresários, a combinação desses fatores com uma elevação repentina nos custos operacionais — visto que mais de 90% da mão de obra do setor atua no regime 6×1 — pode resultar em repasse de preços ao consumidor final, alimentando a inflação e incentivando a informalidade.

Defesa da negociação coletiva como alternativa

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, defende que a readequação das jornadas de trabalho deve seguir o caminho da negociação coletiva. O dirigente reforça que o setor não se opõe ao debate sobre o bem-estar dos trabalhadores, mas exige que qualquer alteração respeite as realidades regionais e setoriais, conforme previsto na legislação vigente desde a reforma trabalhista de 2017.

A entidade apela aos senadores por sensatez e serenidade, argumentando que decisões de tal magnitude exigem diálogo profundo e responsabilidade. O objetivo é evitar que interesses eleitorais sobreponham-se à segurança jurídica necessária para a manutenção da cadeia produtiva e do desenvolvimento econômico do Brasil.