Leitura entre adolescentes atinge o nível mais baixo do século XXI Leitura entre adolescentes atinge o nível mais baixo do século XXI

Leitura entre adolescentes atinge o nível mais baixo do século XXI

Estudo da OCDE revela que leitura entre adolescentes atingiu o pior nível do século, impactada pelo uso excessivo de telas e tecnologia.

O desempenho escolar de adolescentes ao redor do mundo atingiu patamares preocupantes, marcando o pior nível de leitura verificado desde o início do século XXI. Dados recentes do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), conduzido pela OCDE, revelam um retrocesso educacional que afeta não apenas a capacidade de interpretação de textos, mas também o domínio em matemática e ciências.

Queda histórica no desempenho global

A avaliação, que analisou 760 mil estudantes de 15 anos em 91 nações, aponta que o rendimento médio atual em leitura equivale ao conhecimento demonstrado por alunos um ano mais novos em edições passadas. A pontuação, que chegou a 501 pontos em 2012, caiu para 466 no exame mais recente, consolidando uma tendência de declínio que preocupa especialistas e formuladores de políticas públicas.

O fenômeno não se restringe à leitura. Em ciências, a média recuou de 506 pontos, registrados em 2009, para 486. Na matemática, a trajetória de queda foi ainda mais expressiva, saindo de 502 para 469 pontos. Este cenário coloca em xeque a eficácia dos modelos de ensino atuais diante das transformações digitais.

O impacto das telas no aprendizado

O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, apontou a relação direta entre o aumento do tempo de tela e a queda na performance acadêmica. O estudo indica que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos para entretenimento, que chega a uma média de 3,4 horas diárias, prejudica a concentração e a profundidade do estudo.

A pesquisa detalha que o uso de aparelhos por mais de cinco horas diárias está associado a quedas gradativas nos resultados. Além disso, a dinâmica de leitura dos jovens tornou-se superficial, caracterizada por uma varredura rápida de conteúdos que resulta em respostas imprecisas e falta de retenção de conhecimento.

Tecnologia e inteligência artificial na sala de aula

Embora o relatório não recomende o banimento total dos celulares, ele destaca que a distração digital é um fator de queda no rendimento em 59 dos 82 sistemas de ensino avaliados. Mais de 25% dos estudantes admitem que os aparelhos interferem negativamente na concentração de seus colegas durante as aulas.

A ascensão da inteligência artificial também trouxe desafios. Metade dos alunos utiliza chatbots para tarefas escolares, mas aqueles que recorrem frequentemente a essas ferramentas apresentam, em média, 20 pontos a menos em ciências. Essa diferença equivale a um ano inteiro de escolarização perdida, evidenciando que a tecnologia, se mal utilizada, pode atuar como um obstáculo ao desenvolvimento cognitivo.