Eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, Cleitinho Azevedo (Republicanos) detalhou nesta segunda-feira (5), em entrevista concedida em Divinópolis, os pilares que nortearão o início de sua administração. Com foco em uma transição pragmática, o futuro gestor destacou que a renegociação da dívida estadual com a União, a recuperação da malha rodoviária e a regionalização dos serviços de saúde figuram como as prioridades imediatas de seu plano de governo.
O governador eleito, que obteve 55,40% dos votos válidos segundo o Tribunal Superior Eleitoral, enfatizou a necessidade de despolitizar a gestão pública. Cleitinho afirmou que, independentemente do resultado das eleições presidenciais, sua primeira medida será estabelecer um canal de diálogo direto com o presidente eleito para discutir parcerias estratégicas e a viabilização de recursos essenciais para o estado.
Formação de secretariado técnico e transição administrativa
Uma das promessas centrais de Cleitinho é a montagem de um secretariado estritamente técnico. O governador eleito declarou que não pretende utilizar cargos de confiança ou posições em estatais como moeda de troca política. A exigência para a ocupação de pastas será a qualificação profissional e a competência técnica comprovada, visando um governo que priorize a eficiência administrativa acima de indicações partidárias.
Sobre o processo de transição, o futuro governador sinalizou abertura para manter políticas públicas da atual gestão que apresentem resultados positivos. Ele destacou que o objetivo é avaliar cuidadosamente os programas em curso, como o projeto Trilhas de Futuro, para garantir a continuidade de iniciativas que beneficiem diretamente a população mineira, mantendo uma postura de diálogo com o governo atual.
Prioridades em infraestrutura e regionalização da saúde
A precariedade das rodovias mineiras, constatada por Cleitinho durante sua campanha, será alvo de um plano de trabalho específico. O governador eleito defende a elaboração de estratégias para melhorar a trafegabilidade, buscando parcerias que permitam a recuperação das vias. Paralelamente, o setor de saúde será estruturado sob a ótica da regionalização, com o fortalecimento de hospitais regionais, Santas Casas e unidades filantrópicas.
O objetivo é reduzir a necessidade de deslocamentos longos para pacientes que buscam consultas e procedimentos. Para enfrentar a fila de cirurgias eletivas, Cleitinho pretende articular com deputados estaduais o direcionamento de emendas parlamentares para o custeio desses atendimentos, além de buscar cooperação com o governo federal para a gestão otimizada das unidades hospitalares.
Estratégias para arrecadação e desenvolvimento econômico
Cleitinho reafirmou sua intenção de reduzir a alíquota do IPVA em Minas Gerais, argumentando que a medida tornará o estado mais competitivo e evitará o emplacamento de veículos em outras unidades da federação. Para compensar a perda de receita, o governador eleito planeja realizar uma revisão rigorosa das isenções fiscais concedidas a empresas, condicionando a manutenção dos benefícios à geração de empregos e à prestação real de serviços ao estado.
No campo da segurança pública, a aposta será em tecnologia e inteligência, com a busca por parcerias com a iniciativa privada para a expansão de sistemas de monitoramento. Em relação às estatais, o governador eleito posicionou-se contra a privatização da Cemig, defendendo que empresas que geram lucro e prestam serviços essenciais devem permanecer sob controle estatal para subsidiar políticas públicas.