PIX registra queda de 10% após restrições a sites de apostas no Brasil PIX registra queda de 10% após restrições a sites de apostas no Brasil

PIX registra queda de 10% após restrições a sites de apostas no Brasil

Movimentações via Pix caíram 10% após proibição de bets. Governo analisa migração de recursos e estabelece prazos para saque de apostadores.

O volume de transações realizadas via Pix apresentou uma retração de 10% entre os dias 26 e 28 de setembro, na comparação com a média observada nas quatro semanas anteriores. A oscilação coincide com o período de implementação das novas medidas restritivas impostas pelo governo federal ao mercado de apostas de quota fixa, conhecidas popularmente como bets.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o governo monitora a movimentação financeira para entender o destino dos recursos que deixaram de circular nas plataformas de apostas. Embora existam indícios de que o capital esteja sendo redirecionado para outros setores da economia, o Executivo ressalta que as análises ainda estão em fase preliminar e não permitem conclusões definitivas sobre o comportamento do consumidor.

Impacto financeiro e movimentação das plataformas

Dados oficiais apontam que, antes das restrições, as plataformas de apostas movimentavam cerca de R$ 600 milhões diariamente. Com o início do processo de encerramento das atividades, foi identificado que aproximadamente R$ 652 milhões foram resgatados pelos usuários, enquanto um montante de R$ 1,4 bilhão permanecia retido nas contas das empresas até o momento do levantamento.

Apesar da queda observada no sistema de pagamentos instantâneos, especialistas ponderam que os números do Pix, isoladamente, não confirmam que a proibição das bets seja o único fator para a redução. A dificuldade em rastrear o destino final do dinheiro impede, por ora, a distinção entre valores destinados ao consumo, poupança ou eventuais apostas em sites clandestinos que operam à margem da regulação.

Contraponto do setor e regulação vigente

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), entidade que representa as empresas do segmento, contesta a interpretação governamental sobre a queda nas transações. Segundo a associação, a restrição não eliminou a demanda, mas provocou uma migração dos apostadores para o mercado clandestino, questionando a metodologia utilizada pelo governo para associar a queda do Pix diretamente ao fechamento das casas de apostas.

A regulação, fundamentada na Medida Provisória nº 1.394/2026, proibiu a exploração e a publicidade de apostas de quota fixa, incluindo jogos on-line e esportivos. A medida determinou a interrupção imediata de novas contratações publicitárias, estabelecendo o dia 5 de outubro como prazo limite para a veiculação de materiais previamente contratados.

Cronograma para encerramento e saques

O governo estabeleceu um cronograma rigoroso para a desativação das plataformas e a proteção do saldo dos usuários. Os apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro para solicitar o saque de seus valores. Após esse período, os sites e aplicativos devem ser retirados do ar.

Para os saldos que não forem sacados diretamente pelos usuários, o Ministério da Fazenda prevê que a devolução dos recursos remanescentes ocorra por intermédio das instituições financeiras entre os dias 9 e 14 de outubro. Mais informações sobre a transição do setor podem ser consultadas no portal oficial do Ministério da Fazenda.