A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Divinópolis deu um passo estratégico na reintegração social ao inaugurar, nesta sexta-feira, uma nova oficina de tornearia. O projeto visa suprir uma demanda latente por mão de obra especializada na região, oferecendo aos recuperandos uma formação técnica com alto potencial de empregabilidade.
A solenidade de abertura contou com a presença de autoridades e representantes da instituição, destacando o compromisso com a ressocialização por meio do trabalho. A iniciativa é fruto de uma pesquisa de mercado realizada junto ao Centro Industrial de Divinópolis, que identificou a carência de profissionais qualificados na área de tornearia.
Formação técnica alinhada às demandas do mercado
O projeto piloto da oficina de tornearia atenderá inicialmente seis recuperandos, que passarão por um ciclo de três meses de capacitação intensiva. Os equipamentos necessários, compostos por quatro tornos, foram adquiridos por meio de verbas pecuniárias repassadas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
A parceria com as empresas Pralum e Rota Alumínio é fundamental para a viabilidade operacional da oficina. As companhias fornecem os insumos para a fabricação de utensílios de cozinha, permitindo que os alunos conciliem o aprendizado teórico com a prática industrial. A expectativa é que, após a conclusão do curso, os próprios recuperandos atuem como multiplicadores do conhecimento para novos grupos.
Estratégia de combate à escassez de mão de obra
Segundo José Francisco Martins, presidente da APAC de Divinópolis, a escolha pela tornearia não foi aleatória. O levantamento realizado pela instituição apontou que cerca de 20 empresas locais enfrentam dificuldades para encontrar profissionais aptos, em um cenário onde a aposentadoria de torneiros experientes não tem sido acompanhada pela entrada de novos talentos no setor.
O objetivo é garantir que, ao atingirem o regime de trabalho externo, os recuperandos estejam prontos para ocupar postos formais. A qualificação profissional atua como um pilar central para a reconstrução da vida desses indivíduos, reduzindo as barreiras de entrada no mercado de trabalho após o cumprimento da pena.
Cultura e música como ferramentas de disciplina
Além da capacitação técnica, o evento reforçou o papel da música na rotina da APAC. A Orquestra de Cordas da instituição, pioneira no sistema prisional de Minas Gerais, realizou uma apresentação que incluiu violinos e violoncelos, acompanhada pelo coral da unidade. O trabalho musical, coordenado pelo professor Davi Santos, utiliza a arte como instrumento de disciplina, concentração e desenvolvimento pessoal.
A música, assim como as oficinas de panificação e marcenaria, integra o método APAC, que se baseia em 12 pilares fundamentais, incluindo espiritualidade, educação e valorização humana. Ao assumirem responsabilidades na manutenção e organização do ambiente, os recuperandos exercitam a autonomia necessária para o retorno à vida em sociedade.