A probabilidade de que o fenômeno climático El Niño atinja uma intensidade severa durante a primavera e o verão de 2026 a 2027 no Hemisfério Sul ultrapassou a marca de 90%. Os dados, que consolidam um cenário de alerta, integram a atualização mais recente divulgada pelo Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).
Além da alta probabilidade de um evento de grande magnitude, o levantamento aponta uma chance de 75% de que este episódio se torne o mais intenso registrado em toda a série histórica, que é monitorada de forma sistemática desde o ano de 1950.
Evolução e monitoramento do fenômeno
O acompanhamento técnico conduzido pela NOAA registrou o encerramento do ciclo do La Niña em abril, momento em que as projeções para a consolidação do El Niño entre maio e julho já indicavam 61% de chances. Ao longo de maio, os modelos meteorológicos elevaram essa estimativa para 82%.
A ocorrência do fenômeno foi efetivamente observada em junho, embora estivesse em estágio inicial de estruturação. Em agosto, o sistema apresentou um ganho acentuado de intensidade, com desvios térmicos na superfície do Pacífico Equatorial Leste superando a marca de 3 °C.
Impactos regionais projetados para o Brasil
Conforme avaliações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as regiões Norte e Nordeste enfrentam a perspectiva de precipitações abaixo dos patamares habituais. Esse déficit hídrico favorece a diminuição nas vazões dos rios, o que pode comprometer o transporte fluvial, a mobilidade das populações locais, a pesca comercial e a segurança no abastecimento de água.
Em contrapartida, as áreas situadas na porção meridional do Brasil devem registrar volumes de chuva acima da média histórica. Esse cenário eleva a vulnerabilidade a inundações e possíveis danos em infraestruturas dedicadas à atividade pesqueira e à criação de organismos aquáticos.
Monitoramento de temperaturas e lavouras
Nas demais zonas territoriais, as projeções de altas temperaturas exigem um acompanhamento rigoroso por parte dos órgãos competentes. O manejo eficiente da água e a conservação das lavouras tornam-se pontos críticos para mitigar os efeitos adversos do fenômeno climático nas próximas estações.