Presidente do STM defende Justiça comum para casos de violência doméstica contra militares Presidente do STM defende Justiça comum para casos de violência doméstica contra militares

Presidente do STM defende Justiça comum para casos de violência doméstica contra militares

Ministra Maria Elizabeth Rocha, do STM, defende que casos de violência doméstica contra militares sejam julgados na Justiça comum.

A ministra Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar (STM), manifestou apoio à transferência de competência para o julgamento de casos de violência doméstica envolvendo militares. Segundo a magistrada, tais ocorrências devem ser processadas pela Justiça comum, garantindo um suporte mais eficaz às vítimas.

O posicionamento foi apresentado durante um evento na Escola Superior da Advocacia (ESA), organizado pela OAB-RJ. O debate integrou as celebrações e reflexões sobre as duas décadas de vigência da Lei Maria da Penha, destacando a necessidade de adaptação do sistema judiciário frente às demandas contemporâneas de proteção à mulher.

Limitações estruturais do foro militar

Durante o painel, a ministra enfatizou que a Justiça Militar possui uma natureza estritamente criminal, o que limita sua capacidade de oferecer o suporte integral necessário em situações de violência doméstica. A magistrada argumentou que a especialização das varas comuns permite um acolhimento mais humanizado e abrangente.

A principal diferença reside na aplicação de medidas protetivas. Enquanto o sistema comum possui mecanismos cíveis robustos para salvaguardar a integridade física e psicológica da mulher, o foro militar carece de competência legal para expedir determinadas providências de proteção que transcendem a esfera penal.

Reflexões sobre a proteção feminina nas Forças Armadas

A presença crescente de mulheres nos quadros das Forças Armadas trouxe à tona a urgência de discutir abusos físicos e psicológicos cometidos no ambiente familiar. Para Maria Elizabeth Rocha, a condição de militar não deve ser um fator impeditivo para que a vítima acesse os direitos garantidos pela legislação brasileira.

A magistrada reforçou que o foco deve ser a proteção da vida e da dignidade da mulher. Ao delegar o julgamento à Justiça comum, o Estado assegura que a vítima tenha acesso a uma rede de apoio multidisciplinar, essencial para romper o ciclo de violência doméstica.

Debates e produção jurídica na OAB-RJ

A presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basilio, destacou a importância da participação de Maria Elizabeth Rocha no evento. O encontro serviu como um espaço de análise sobre os avanços normativos das últimas duas décadas e os desafios persistentes para a efetividade da lei.

O evento também marcou o lançamento de obras jurídicas relevantes, incluindo o livro 20 anos da Lei Maria da Penha: da Conquista Normativa aos Desafios da Efetividade e a obra Curso de Direitos Humanos, de Sidney Guerra. As publicações reforçam o compromisso da comunidade jurídica com o aprimoramento das políticas de gênero.