Ministério da Saúde cria comitê para reduzir custos de medicamentos no SUS Ministério da Saúde cria comitê para reduzir custos de medicamentos no SUS

Ministério da Saúde cria comitê para reduzir custos de medicamentos no SUS

Ministério da Saúde cria comitê para negociar preços de medicamentos no SUS, visando reduzir custos e ampliar acesso a tratamentos de alto custo.

O Ministério da Saúde oficializou a criação de um comitê estratégico focado na negociação de preços de medicamentos adquiridos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida visa otimizar a aplicação de recursos públicos e ampliar o acesso da população brasileira a terapias de última geração, especialmente para o tratamento de doenças complexas, como câncer e patologias autoimunes.

A iniciativa busca utilizar o alto volume de compras da rede pública como alavanca para obter descontos expressivos junto à indústria farmacêutica. Ao reduzir os custos unitários dos insumos, o governo federal pretende criar uma margem orçamentária para a incorporação de novas tecnologias médicas no rol de atendimentos oferecidos pelo sistema público.

Mecanismo de atuação e intermediação junto à Conitec

O novo órgão atua sob demanda da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), responsável por avaliar a eficácia e a viabilidade de novos produtos. O comitê concentra seus esforços em medicamentos de fornecedor exclusivo, onde a ausência de concorrência impede a realização de licitações tradicionais.

Considerando que o SUS movimenta anualmente cerca de R$ 31,3 bilhões em insumos, vacinas e remédios, o governo projeta utilizar essa escala para fortalecer seu poder de barganha. Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, destacou que a formalização do grupo confere maior transparência e segurança jurídica aos processos de aquisição.

Renegociação de contratos e eficiência orçamentária

Além de atuar sobre novas incorporações, o comitê possui autoridade para revisar contratos de itens que já integram a rede pública, mas que apresentaram elevações atípicas de preço. Nestes casos, a revisão é acionada pela secretaria competente do Ministério da Saúde, visando ajustar os valores aos patamares de mercado e garantir a sustentabilidade financeira do sistema.

A estratégia de negociação direta segue padrões observados em mais de 40 países, incluindo nações como Canadá, Inglaterra, Austrália e França. A consolidação dessa prática como política de Estado busca profissionalizar a gestão de compras, afastando o modelo de decisões isoladas e adotando critérios técnicos rigorosos.

Projeções de economia e alinhamento internacional

Com caráter estritamente técnico, o grupo de trabalho estabeleceu metas ambiciosas para a gestão orçamentária. A expectativa é alcançar reduções superiores a 50% nos valores de aquisição de tratamentos que estão em fase de análise ou que foram recém-admitidos no sistema.

A medida representa um avanço na governança da saúde pública brasileira, alinhando o país às melhores práticas globais de gestão de insumos. A expectativa é que o impacto dessas negociações seja sentido diretamente na capacidade de atendimento da rede, permitindo que mais pacientes tenham acesso a tratamentos de alto custo sem comprometer o orçamento da pasta.