A produção de vinhos em Minas Gerais ganha um novo capítulo com a ascensão da Quinta Maria Soares, localizada na comunidade de Limas do Pará, em Pará de Minas. O empreendimento, comandado pela viticultora Marilene Soares Ribeiro Batista, transformou o cultivo de uvas em um destino de turismo de experiência, diversificando receitas e consolidando a marca no mercado regional.
O projeto teve início em 2020, durante a pandemia, motivado pelo interesse da produtora em técnicas de dupla poda, que permitem a viticultura de qualidade em regiões tropicais. Com o incentivo do filho, Felipe Luis, a propriedade iniciou o plantio e realizou sua primeira colheita em 2022, produzindo 600 garrafas a partir de 700 quilos de uvas. Hoje, o vinhedo conta com cerca de quatro mil pés, incluindo variedades como Syrah e Lorena.
Gestão estratégica e expansão do modelo de negócio
A transição da produção agrícola para o setor de serviços foi estruturada com o suporte do programa ALI Rural, do Sebrae Minas. A consultoria permitiu que a produtora organizasse processos internos, desde o controle de estoques até o planejamento de compras, essencial para a viabilidade do atendimento ao público.
A experiência oferecida aos visitantes inclui um brunch com produtos locais, passeios guiados pelos vinhedos e imersão nas etapas de produção vinícola. Além disso, a propriedade estabeleceu parcerias com artesãos e profissionais de bem-estar, criando um ecossistema que vai além da venda de vinhos, como o rótulo Olívia 2024 Syrah.
Resultados financeiros e novas oportunidades de mercado
A mudança de estratégia gerou um impacto direto no faturamento da propriedade. Em junho deste ano, o local recebeu 111 visitantes, um crescimento significativo em relação aos 82 registrados em maio. A demanda crescente forçou a ampliação do calendário de visitas, que antes se restringia aos domingos e agora abrange sábados e grupos agendados durante a semana.
Segundo Marilene Soares Ribeiro Batista, a receita atual é composta por múltiplas fontes, com o faturamento total apresentando um salto estimado em 20 vezes em comparação ao início das operações. A diversificação incluiu até a locação do espaço para ensaios fotográficos, aproveitando a estética dos vinhedos para fortalecer a marca nas redes sociais.
Sustentabilidade operacional e visão de futuro
A gestão eficiente permitiu que o negócio crescesse sem a necessidade de grandes contratações, mantendo a operação sustentável e competitiva. A analista do Sebrae Minas, Isabela Menezes, ressalta que o sucesso do projeto reside na capacidade da produtora em identificar oportunidades latentes em sua própria estrutura.
O caso da Quinta Maria Soares exemplifica como a união entre agricultura, gastronomia e turismo pode revitalizar a economia rural. Ao integrar processos organizados e uma oferta de valor diferenciada, a produtora não apenas garante a longevidade do negócio, mas também estabelece um novo padrão de referência para o agroturismo no Centro-Oeste mineiro.